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sexta, 16 de abril de 2021
terça, 30 de outubro de 2012 - 08:30

Couro fica mais caro no País e perde preço nas exportações brasileiras

Intensificado pela atuação da JBS e outras gigantes nesse mercado, o crescimento das exportações de couro tem prejudicado a disponibilidade da commodity em âmbito nacional.

Curtumes falam em aumento de 40%, em seis meses, do preço da matéria-prima. O mercado externo, apesar do câmbio favorável, apresenta desvalorização. No acumulado de janeiro a setembro, os embarques cresceram 7% em volume, mas perderam 2% de valor. A diferença está ligada à crescente demanda chinesa pelo tipo wet blue, que é o couro mais barato.

"A [demanda da] Europa está restrita. Não temos outro mercado que não seja a Ásia", diz o diretor-presidente do curtume Viposa, de Caçador (SC), Elias Seleme Neto. "Mas a China só quer couro inacabado, que tem pouca margem de lucro", acrescenta.

A participação da China cresceu 23% no acumulado do ano, em relação ao mesmo período de 2011, atingindo o nível de 23,3% das exportações brasileiras de peles e couro. Os totais exportados nesse período foram de 291,7 mil toneladas e US$ 1,5 bilhão.

Na contramão, as importações da Itália, que costuma comprar couro beneficiado do Brasil (tipo crust, por exemplo), caíram 16%, para 298,2 mil toneladas.

O fator positivo para os curtumes exportadores neste ano foi o câmbio. "Trabalhou-se com prejuízo em 2010 e 2011", lembra Neto. "Se o dólar fica abaixo de R$ 2, o setor fecha no vermelho."

Matéria-prima escassa

Se a preocupação do curtume Viposa é com o mercado externo, a Casa de Couros Romeu, que atua desde o beneficiamento até o varejo, é com a falta de material no Brasil. Segundo o diretor-comercial da empresa, Rodrigo Saragioto, o couro está caro, raro e de má qualidade no País.

"Desde que o grupo JBS entrou forte nesse mercado, comprando todos frigoríficos que ofereciam couro bom, os curtumes ficaram com o que sobrou de matéria-prima ruim", afirma o executivo, observando alta de 40% do valor do produto nos últimos seis meses.

Em resposta, um porta-voz da JBS disse que a subida de preço tem a ver com a baixa oferta de bois - o rebanho nacional, afetado pelos rumos do mercado pecuário, tem encolhido, inclusive com o descarte de matrizes -, não com o crescimento da companhia multinacional.

A Casa Romeu adquire seis mil peças de couro wet blue e in natura por mês, para trabalhá-las em sua sessão de beneficiamento e depois vendê-las, por atacado, para fabricantes de vestuário e acessórios. A matéria-prima está custando R$ 1,80 por quilo, de acordo com Saragioto.

"O couro já esteve mais caro. O preço, porém, subia conforme a demanda. Agora que o mercado está em baixa, era para o couro estar mais barato", diz o empresário, atribuindo a valorização atípica do produto aos embarques promovidos pela JBS ao exterior.

Azul molhado

Vale registrar que o couro wet blue ("azul molhado") - azulado pelo cromo, que o torna imperecível - tem status de commodity e precisa passar por duas outras etapas de beneficiamento antes de ficar pronto para qualquer tipo de manufatura. Alguns curtumes, como o A.P. Müller, em Portão (RS), preferem investir unicamente no acabamento da matéria-prima, não trabalham com o wet blue.

O presidente da Associação Brasileira dos Químicos e Técnicos da Indústria de Couro (ABQTIC), Etevaldo Zilli, aponta para novas demandas ambientais do segmento - como na substituição, para a curtição do couro, do cromo por produtos naturais.

Fonte: DCI
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