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terça, 15 de junho de 2021
quinta, 1 de novembro de 2012 - 11:50

Aos 17 anos, deficiente visual vai fazer o Enem pela terceira vez

Enquanto os colegas de classe utilizam cadernos e até notebooks durantes as aulas, Laura Roncatto, de 17 anos, se destaca dos demais por utilizar uma máquina de datilografar. Mas o aparelho de Laura tem um diferencial, é uma máquina de escrever em braile, já que a estudante de Vilhena, RO, é deficiente visual congênita.

Aluna dedicada, Laura iniciou os estudos com a mesma idade das demais crianças, sempre em escola pública. Agora, estudante do terceiro ano do ensino médio, a jovem irá prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pela terceira vez, mas, ao contrário das outras vezes, a prova deste ano tem uma importância maior, já que vai decidir o futuro da aluna após o colegial.

“Nas outras vezes, foi apenas para testar meus conhecimentos. Agora já vou tentar uma vaga na faculdade”, conta Laura que pretende cursar direito.

Neste ano, a Escola Estadual Marechal Rondon, onde Laura estuda, não recebeu livros em braile do Ministério da Educação. Para estudar, além de recorrer à máquina de escrever, que ganhou do governo há quatro anos, Laura teve que adquirir softwares de computador para reproduzir livros digitais e aprender utilizando a audição.
“Não é bom ficar sem livros em braile, pois no braile eu treino a ortografia e é a forma em que fui alfabetizada, mas quando não tem, o jeito é usar programa de leitura dos livros”, diz.

A escola onde Laura estuda possui uma sala de acompanhamento para alunos especiais, no entanto, a jovem estuda normalmente em uma sala com alunos sem deficiência visual.

Entre os colegas, Laura conta com o companheirismo de sua melhor amiga, Camila Gonçalves, de 17 anos. Camila guia Laura pelo colégio e a ajuda nos trabalhos escolares.

“A gente se conhece há seis anos. Estamos estudando juntas para o Enem. A Laura é um exemplo para todos nós”, diz Camila.

A mesma opinião é compartilhada pela professora e acompanhante de Laura na sala especial, Janes de Fátima. “Acompanho o caso dela há oito anos e a cada dia ela me surpreende, pois é esforçada e vai atrás do que quer”, comenta Janes.
Se na sala de aula Laura tem o apoio da melhor amiga e da professora, no dia do Enem ela estará sozinha. “Eu faço prova em uma sala sem mais nenhum aluno, pois além da prova ser em braile, ainda tenho um ledor das questões e um transcritor das minhas respostas” explica.

Para este ano, além de Laura, mais um candidato do Enem solicitou a prova em braile em Vilhena
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