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segunda, 10 de março de 2014 - 14:20

Após três anos, México anuncia 'segunda morte' de líder do narcotráfico

Nazario "El Chayo" Moreno, considerado o líder do cartel mexicano 'Los Caballeros Templarios', foi morto no domingo por militares em Michoacán, região oeste do país, mais de três anos depois de ter sido considerado oficialmente morto pelo governo do então presidente Felipe Calderón.

Soldados mexicanos localizaram Moreno na manhã de domingo (9) nos arredores do município de Tumbiscatío (630 quilômetros ao oeste da capital) e tentaram efetuar a prisão, mas ele resistiu, afirmou Monte Alejandro Rubido, secretário executivo do Sistema Nacional de Segurança Pública.

"Ele atacou as forças federais, que foram obrigadas a responder e mataram o suposto delinquente", completou, sem revelar detalhes sobre o confronto.

Antes de confirmar a morte de Moreno oficialmente, as autoridades dedicaram boa parte do domingo a obter provas da identidade do cadáver.

Finalmente, a análise das impressões digitais confirmou que era Moreno. Mas outros exames genéticos continuam sendo realizados, segundo Tomás Zerón, diretor da Agência de Investigação Criminal da procuradoria mexicana.

As autoridades exibiram a comparação das impressões digitais feitas no corpo com as do arquivo de Moreno.

Rubido recordou que em 10 de dezembro de 2010 o governo de Calderón (2006-2010, Partido Ação Nacional) anunciou de maneira equivocada a morte de "El Chayo" em outro confronto com policiais.

Na ocasião, "afirmaram que o corpo havia sido levado por integrantes do cartel e não existiram evidências do falecimento", destacou Rubido.

Moreno foi um dos fundadores do cartel 'La Familia', um dos principais produtores e exportadores aos Estados Unidos de drogas sintéticas, e o primeiro traficante a utilizar uma doutrina de 'pseudo religião' para recrutar e controlar os subordinados, que nos últimos anos o elevaram à categoria de "santo".

"El Chayo" justificava a violência extrema de seu grupo como uma "justiça divina" para proteger Michoacán de outros grupos criminosos. O cartel 'La Familia' fez uma aparição pública assustadora em 2006, quando jogou as cabeças de cinco pessoas em uma pista de dança da cidade de Uruapan (Michoacán) acompanhadas da frase: "Só morre quem deve morrer...".

O "santo" que assolava Michoacán

A morte de Moreno representa um novo golpe para o narcotráfico obtido pelo atual governo de Enrique Peña Nieto (Partido Revolucionário Institucional), que assumiu o poder em dezembro de 2012.

No ano passado foi detido Miguel Ángel Treviño, líder do cartel do Golfo, e em 22 de fevereiro Joaquín "El Chapo" Guzmán, líder do cartel de Sinaloa e o narcotraficante mais procurado do mundo.

Rubido informou que, depois da mobilização no ano passado de 10.000 policiais e militares para pacificar Michoacán, as autoridades começaram a receber denúncias que apontavam que "El Chayo" estava vivo e liderava agora o grupo 'Los Caballeros Templarios', uma cisão de 'La Familia'.

Com o trabalho do serviço de inteligência, o governo confirmou que Moreno, de 44 anos, "permanecia como líder indiscutível do grupo", disse Rubido.

Ele era acusado de múltiplos homicídios.

Apesar do anúncio oficial da morte, a queda de "El Chayo" era uma das exigências dos grupos de autodefesa para aceitar o desarmamento.

As autodefesas (milícias) são formadas por moradores das comunidades rurais de Michoacán que, desde o ano passado, decidiram pegar em armas para enfrentar o cartel, após o aumento dos ajustes de contas, sequestros e extorsões.

Os grupos de autodefesas conseguiram assumir o controle de 20 municípios e chegaram a um acordo com o governo para uma cooperação, mas exigem o desmantelamento da cúpula dos 'Templarios'.

Um "improviso" do governo Calderón

O primeiro anúncio da morte de "El Chayo" aconteceu em um dos momentos mais violentos da ofensiva militar do ex-presidente Calderón contra os cartéis, durante a qual foram assassinadas mais de 70.000 pessoas.

Alejandro Poiré, que era secretário técnico do Conselho de Segurança Nacional, afirmou no domingo que o anúncio da morte de Moreno foi baseado em "elementos ao alcance" e reconheceu que estes "não foram suficientemente precisos".

"O anúncio deste domingo evidencia o improviso da estratégia de Calderón. Foi uma imprudência", disse à AFP Javier Oliva, especialista em segurança da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam).

Uma das "provas" do governo Calderón eram conversas telefônicas interceptadas de supostos integrantes do grupo 'La Familia' que citavam a morte de seu líder.

"Os criminosos são preparados, com certeza sabiam que estavam sendo gravados", disse Oliva. Moreno teria passado os últimos três anos escondido em montanhas e vilarejos de Michoacán, onde cresceu um culto que o chamava de "São Nazario". Sua imagem era vista em altares com uma espada, túnica e cruz vermelha no peito, características dos Templários.

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