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terça, 17 de abril de 2018 - 14:35

Autor do livro que Lula levou para prisão fala sobre mentiras da nossa história

Jessé de Souza foi mais um palestrante convidado pelo projeto Diálogos Contemporâneos

No quarto dia do ciclo de palestras Diálogos Contemporâneos, Campo Grande recebeu ontem uma das palestras mais diretas em relação a política brasileira e, por consequência, sobre a verdadeira história do Brasil. Escritor e historiador, Jesse de Souza ficou conhecido nos últimos dias por "acompanhar" o ex-presidente Lula na prisão, como autor do livro "A Elite do Atraso".

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Com palavras afiadas e sem medir os palavrões, o pesquisador começa a palestra dizendo que tudo o que ouvimos e sabemos sobre o Brasil é uma mentira. Segundo ele, mentira essa criada pela elite Paulistana, em 1930, por meio da imprensa manipulada por ela e por meio da Universidade de São Paulo, responsável por "criar" estudos e termos que definiriam o Brasil, afim de tornar a estima do brasileiro baixa, dizendo que todo brasileiro é uma consequência de Portugal e que todos que estão no poder político do País são corruptos.

Debatendo o Personalismo, o Patrimonialismo e o Populismo, Jesse mostra dados sobre a sonegação fiscal no Brasil e os compara com os ínfimos valores arrecadados com a Operação Lava Jato. "Só em paraísos fiscais temos mais de um trilhão de reais não arrecadados, enquanto com a Lava Jato foram recuperados dois milhões", explica ele.

Jesse considera equivocada a interpretação de que a política no Brasil é corrupta, mas o mercado é símbolo da honestidade e o empreendedorismo do trabalho duro, "sendo que quem assume o poder das grandes empresas brasileiras são os donos do país. Seria coincidência?".

Auditório estava lotado em mais uma palestra do Diálogos Contemporâneos. (foto: Roberto Higa)Auditório estava lotado em mais uma palestra do Diálogos Contemporâneos. (foto: Roberto Higa)

Ele também explica que, na verdade, as relações brasileiras foram baseadas no escravismo e no consequente ódio ao escravo, que depois veio a se tornar o ódio ao pobre, sentimento que justifica a desigualdade extrema do Brasil e o assassinato rotineiro a essa classe da população, além do esquecimento. 

"Mas como somos um País em maioria Cristão, jamais admitiremos isso, já que devemos ter amor ao próximo, de acordo com a religião", argumenta sobre o discurso de ódio crescente. porém camuflado.

Jesse finaliza trazendo o momento atual do Brasil, no qual milhares de brasileiros da classe média saíram as ruas pedindo a prisão do petista Lula, mas não corrupção, garante. "Se fosse assim, teríamos saídos às ruas pedindo a prisão dos outros também. Não fomos porque a corrupção é uma desculpa pra não escancarar a verdade. A causa é outra: o ódio ao pobre", finaliza.

O Diálogos Contemporâneos tem apoio do Campo Grande News.

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Fonte: Campo Grande News
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