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segunda, 27 de setembro de 2021
quarta, 11 de setembro de 2013 - 14:10

Conheça o braço direito do jornalista que os EUA mais odeiam hoje no mundo

Aperto de mão, troca de e-mails e cartões, e o entrevistado se despede. “Coloca na semana que vem no ar que você vai ter um belo gancho, valeu”. David Miranda é o namorado do jornalista americano Glenn Greenwald, que, após receber arquivos ultrassecretos do hoje inimigo número um dos EUA, e ex-analista de inteligência da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, Edward Snowden, vem revelando casos de espionagem contra os brasileiros, a presidente Dilma Rousseff e, agora, a maior empresa do País, a Petrobras. Ele sabia o dia da publicação da denúncia, no último domingo, não apenas por ser o companheiro de Glenn, mas porque foi ele quem negociou e escolheu o programa de exibição dos últimos furos de reportagem que brotam todo o final de semana, na medida em que as informações criptografadas vão sendo estudadas.

A história do casal é conhecida: os dois estão juntos há nove anos, se conheceram quando David quase acertou a bola do futevôlei na caipirinha do gringo na altura da rua Farme de Amoedo, reduto dos homossexuais na praia de Ipanema, e desde então, como explica David em entrevista ao Terra, "existe a minha vida antes do Glenn e depois do Glenn". Eles moram juntos na zona sul da cidade, em uma casa confortável, com dez cachorros.

O que nem todo mundo sabe é a importância desse carioca - nascido na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio, que não conheceu o pai e perdeu a mãe aos 5 anos - nos trabalhos que o jornalista do periódico britânico The Guardian vem desenvolvendo para trazer à tona todos os casos que Snowden possa ter passado a Glenn.

Em junho passado, em Hong Kong, ele deixou documentos nas mãos do jornalista antes de passar quase 40 dias na área internacional de um aeroporto na Rússia e ganhar asilo temporário do presidente russo, Vladimir Putin.

David hoje é uma espécie de empresário do jornalista, que largou o Direito para realizar o sonho de ser repórter e escritor, mora no Brasil para viver com o companheiro e acabou encontrando no Rio a liberdade para trabalhar no caso, coisa que não teria se vivesse nos Estados Unidos de Barack Obama.

"Eu administro a vida dele fazendo as estratégias de marketing e de mídia. Por exemplo: eu trabalho com os determinados assuntos que devem ser anunciados e requerem uma grande exposição. Eu escolho qual a mídia para isso, que, hoje, sem sombra de dúvida é o Fantástico (da TV Globo)", explicou Miranda, que define também parcerias com os veículos impressos para revelar os casos.

No caso, os dois periódicos de maior circulação no País: O Globo, que foi o primeiro diário na imprensa a mirar o alvo da espionagem para o Brasil, e a Folha de S. Paulo, com quem também negocia. "Eu que fecho qual veículo vai passar determinada informação. Fui eu quem fechei o contrato dele com o The Guardian e o do livro que ele está escrevendo. Eu tenho um agente, mas sou eu quem dá a palavra final. É tudo para deixa-lo livre para escrever", afirmou.

Angústia em Londres
David Miranda tornou-se figura pública quando foi detido pela polícia metropolitana de Londres, a Scotland Yard, no mês passado, no aeroporto de Heathrow, dentro da lei que permite interrogatórios sem advogados sob a alegação de evitar ataques terroristas. Ele ficou nove horas dentro de uma sala, onde sofreu extenso interrogatório, e mais duas esperando do lado de fora, enquanto tinha o celular, câmeras, arquivos com material secreto, dentre outros objetos, confiscados.


"Quando o comandante avisou, na chegada (a Londres), que a gente teria que sair com o passaporte em mãos, eu imaginei naquele momento: 'eles sabem que eu estou aqui'", relembrou. Ele vinha de Berlim, para onde viajara ao encontro da documentarista americana Laura Poitras, que também recebera dados de Snowden. Eles trocaram arquivos.

"Quarta-feira (dia 14 de agosto), eu saí com a Laura e alguns amigos para o bar. Uma das meninas que estavam com a Laura tinha uma mochila que eu segurei por um tempo. Botei numa cadeira, e continuamos conversando. Em cinco minutos, aquela mochila com chaves, passaporte, todos os documentos da menina, sumiu", disse. "Ficou a pergunta: será que roubaram a mochila porque queriam alguma coisa que pensavam estar ali?."

Críticas ao governo brasileiro Ele ainda critica a forma como o governo brasileiro tem lidado com as seguidas denúncias de espionagem, e também com o seu caso em específico. "O governo do nosso País foi extremamente fraco. O mundo inteiro viu que a reação do Itamaraty foi patética. Foi um ataque direto ao jornalismo, usaram a lei de forma errada. O Brasil não tomar nenhuma medida quanto a isso é uma vergonha. Saiu tudo isso aí (sobre a espionagem da presidente Dilma Rousseff e da Petrobras), e aí? Vão cancelar um jantar, apenas", disse, acerca da possibilidade de Dilma cancelar sua visita, em outubro, aos EUA.

Desde então, sua vida, a exemplo de como define o seu relacionamento com Glenn, teve como divisor de águas este episódio. "Hoje as pessoas me reconhecem. É um pouco estranho. Mas eu lido bem, as pessoas são solidárias em dizer que foi um grande abuso. Eu tenho que me adaptar. Isso aconteceria cedo ou tarde, já que o Glenn está escrevendo um livro contando meu papel nesta história toda", afirmou. David disse ainda que "ficamos três dias conversando para termos as certezas do quanto a nossa vida iria mudar. Somos dois adultos. Avaliamos o que poderíamos ganhar, e o que poderíamos perder."

David Miranda atua há quase um ano como colaborador do jornal The Guardian. A viagem para a capital alemã foi paga pelos britânicos. Ele e Glenn vivem juntos em uma casa no Alto da Boa Vista, próximo à residência do prefeito Eduardo Paes. Glenn e David vivem e trabalham juntos. Desde que escolheu ser o parceiro do companheiro nesse trabalho, entrou na sua rotina estar ciente de que alguém estará sempre o vigiando - seja de que forma for. "Eu sei que estou sendo espionado 24 horas. Não sei se fisicamente, mas estou sendo monitorado em todos os meus meios de comunicação", disse.

"Estes últimos dias têm sido de bastante estresse. Tenho dormido muito pouco, e tenho tido reuniões com senadores, advogados, tudo para bolar minha estratégia de defesa. Tenho tido também muitos encontros para definir estratégias de mídia para o Glenn em outros negócios. Então, haja café. Tem sido um companheiro inseparável", afirmou.
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