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terça, 17 de abril de 2018 - 10:50

Idade estampada nas fachadas foi só o que sobrou do passado em casas do Centro

Dos oito prédios encontrados, apenas dois conservam além do detalhe na fachada histórica

Mesmo com nova pintura para abrigar o que é vendido nesta década, alguns prédios no Centro de Campo Grande não conseguem “mentir a idade”. O número estampado nas fachadas já denúncia até um século de histórias.

Porém, o tempo só consegue mesmo ser medido pela entrada. Na maioria destas edificações, o passar do tempo a ocupação modificou completamente o interior. O Lado B percorreu as ruas do chamado “centro antigo” e encontrou oito prédios que carregam em suas fachadas não só as inicias de quem os construiu, mas também as idades.

Das edificações encontradas, enquanto uma permanece fechada, as outras sete abrigam comércios de roupas, móveis, relojoaria, centro espírita e até bar. No entanto, lamentavelmente apenas dois destes lugares conservam mais que a fachada histórica intacta.

É o caso da edificação, que fica na rua Maracaju entre as ruas 14 de Julho e 13 de Maio. O prédio foi o mais antigo encontrado: de 1918, ou seja, 100 anos. O curioso é que hoje o lugar também é morada do tempo, porque abriga uma relojoaria.

O dono, Ronaldo Ribeiro, de 50 anos, confessa que sabe bem pouco ou quase nada da história do lugar. “Sei que foi construído pela família Maluf”, diz. Além disso, ele também se recorda que uma das portas do prédio é da mesma época que a fachada. Já todo o resto não pertence ao século passado.

Um dos prédiosmais antigo encontrados, de 1918, ou seja, 100 anos..Um dos prédiosmais antigo encontrados, de 1918, ou seja, 100 anos..

Mais a frente, assim como a relojoaria, apenas mais um prédio conserva um detalhe com a mesma idade da fachada. A edificação também fica na rua Maracaju, no cruzamento com a rua 14 de Julho.

Hoje loja de móveis, o lugar de 1926 preservou o gradil logo abaixo da fachada. Contudo, o detalhe histórico fica escondido por toldos. O proprietário da loja, Ali Omais, 74 anos, não sente vergonha ao falar que a estrutura só continua ali, pois foi determinado que seja assim. “A prefeitura não deixou mexer na fachada e nem nas grades. Está tombado”, revela. Fora isso, todo o lugar já não é o mesmo há muito tempo.

No mesmo cruzamento que a loja de Ali, outros dois prédios também contam a idade pelas fachadas. Um em cada lado do cruzamento movimentado, as edificações são de 1933 e 1936. Porém, nos lugares que são loja de roupas e loja de roupas íntimas, funcionários disparam. “Aqui nada mais é antigo”.

Mais adiante, na rua Maracaju, entre a 14 de Julho e Calógeras, o Centro Espírita “Discípulos de Jesus” conta na fachada que é de 1934. Porém, diferente dos outros prédios, números de ferro foram colocados para modernizar o tempo descrito. O lugar estava fechado pela manhã, mas pelo menos por fora as portas de madeira e o gradil nas janelas denunciavam que o novo já passou por ali.

Na Rua Bacha, em frente ao Mercadão, loja de artigos religiosos também carregam na fachada seu aniversário de construção: 1934. Entretanto, além da fachada, antigo ali é apenas quem frequenta o lugar.

Já na rua 13 de Maio com a 7 de Setembro, no prédio de 1928, hoje é loja de tintas. No lugar, o dono é breve nas palavras. “De velho aqui só eu e meu vendedor”, diz ao se referir que mais nada além da fachada foi conservado. A reforma interna transformou o lugar em um prédio comum, como qualquer outro no comércio central.

Por fim, a “Casa Vista Alegre”, de 1941, na 13 de Maio com a 26 de Agosto, hoje se tornou bar. E no lugar, onde aparentemente quem frequenta senta para contar histórias, nada se sabe ou se conservou do passado.



Fonte: Campo Grande News
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