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quinta, 23 de setembro de 2021
quarta, 11 de setembro de 2013 - 10:40

Jovem queimado vivo por militares fotografou realidade do Chile pós-golpe

No dia 2 de julho, Rodrigo Rojas de Negri fazia parte de um grupo de jovens que pretendia armar uma barricada na Estação Central do metrô de Santiago. Ele acabou sendo interceptado por uma patrulha militar junto com Carmen Gloria Quintana. Os dois foram duramente golpeados e queimados vivos.

No dia 6 de julho de 1986, Rodrigo morreu após quatro dias agonizando no hospital, para onde foi levado por carabineiros. Carmem sobreviveu, mas até hoje exibe as sequelas do crime. O episódio entrou para a história do Chile como o “caso dos queimados”, mas pouco se conhecia até agora sobre o trabalho de Rodrigo, na época, um jovem fotografo.

Aos 9 anos, Rodrigo partiu para o exílio e viveu grande parte de sua vida nos Estados Unidos. Lá, conheceu o fotógrafo Marcelo Montecinos, outro chileno expatriado. A partir de então, não se separou da câmera que carregava nas mãos e, aos 19 anos, em março de 86, voltou ao Chile para fotografar passeatas e a realidade política do país.

A câmera que Rodrigo carregava naquela manhã nunca foi encontrada. As fotos que provavelmente estavam dentro da câmera também nunca foram reveladas. Sobraram centenas de outras imagens captadas por ele e que, pela primeira vez, serão expostas no Chile. No dia 27 de setembro, o Museu de Arte Contemporânea Quinta Normal e o Museu da Memória inauguram a mostra “Um exílio sem retorno”, com as fotos de Rodrigo Rojas de Negri.

A curadora Montserrat Rojas destaca que o trabalho para montar a exposição começou há um ano, quando contataram Verónica De Negri para ter acesso ao arquivo fotográfico de Rodrigo. “São mais de 1.500 imagens. É um registro muito maior do que pensávamos”, explica.

No total, serão expostas 65 imagens no Museu de Arte Contemporânea e outras 15 no Museu da Memória. “O mais interessante do trabalho de Rodrigo é que, apesar de ser muito jovem, começou a fazer fotos aos seis anos. Era um grande documentarista e retratista. Tem muitas fotos interessantes. Era um jovem muito politizado e também bastante otimista”, acrescenta a curadora.

Em 2006, o Conselho de Cultura criou o prêmio de fotografia Rodrigo Rojas De Negri, no entanto, sua obra ainda é pouco conhecida, o que, na opinião de Montserrat Rojas, mudará após essa exposição. “Todos que o conheceram como o jovem que foi queimado vivo nos protestos agora poderão conhecê-lo como fotógrafo”, diz.

Após a morte de Rodrigo em plena ditadura, a Associação de Fotógrafos Independentes (AFI) montou duas exibições de seu trabalho. Segundo conta a mãe do jovem, Verónica De Negri, a primeira aconteceu na Galeria Enrico Bucci em 1987 e a segunda, em 1988. “Ir ver a exposição era um perigo”, recorda. Prova disso foi a incursão da polícia em uma dessas exposições. “Um dos fotógrafos da AFI conseguiu salvar quase todas as fotos da segunda exposição quando os Carabineiros (a polícia militar do Chile) chegaram para destruí-las”, conta.

De Negri explica que sua principal motivação para ajudar a montar essa nova mostra é para que o Chile “conheça um jovem cheio de paixão e amor pela humanidade.”

“Rodrigo deu sua vida lutando por um Chile melhor, sem ditadura, sem ódio, pela verdade, e é por isso que para ele era importante conhecer a verdade em sua totalidade, já que nem sempre eram denunciadas as brutalidades cometidas pela ditadura de Pinochet nos bairros populares (...) ele sonhava em transformar essas fotos em um livro onde retrataria todas essas barbáries”, acrescenta a mãe do fotógrafo.

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