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terça, 12 de março de 2013 - 11:40

Julgamento do caso Mércia segue com depoimento de testemunhas

O julgamento de Mizael Bispo de Souza - acusado pela morte da ex-namorada Mércia Nakashima, em maio de 2010 - será retomado às 9h desta terça-feira no Fórum de Guarulhos, em São Paulo. No segundo dia, o juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano deve seguir com o depoimento das outras oito testemunhas arroladas - duas de acusação, cinco de defesa e uma do juízo. Esse é o primeiro julgamento de um caso de homicídio com televisionamento ao vivo no Estado. A previsão é de que o júri se estenda pelo menos até a próxima quinta-feira.
Ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado sempre negou a acusação do crime e, no início do julgamento ontem, chegou a chorar ao ouvir o juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano dar início aos trabalhos. Três testemunhas de acusação foram ouvidas: o irmão da vítima, Márcio Nakashima - que falou do relacionamento conturbado entre os dois - o biológo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo, que analisou as algas encontradas nos sapatos do réu (compatíveis com as existentes na represa onde o corpo da vítima foi encontrado), e o engenheiro em telecomunicações Eduardo Amato Tolezani, que analisou as ligações que partiram e foram recebidas pelo telefone celular do réu no dia do crime.

Primeiro a falar, o irmão de Mércia afirmou que sempre teve esperanças de encontrá-la viva e que, até localizar seu corpo em uma represa de Nazaré Paulista (interior de SP), acreditava que ela tinha sido vítima de um sequestro. "Tinha certeza que ia encontrar a minha irmã viva", disse, em um depoimento bastante emocionado.

Um bate-boca entre Márcio e o advogado Ivon Ribeiro, um dos três defensores do acusado de ser autor do crime. O irmão de Mércia e Ribeiro trocaram várias acusações durante o depoimento da testemunha, que acusou o defensor de ameaçá-lo e de manchar a "honra" de sua irmã, o que fez com que o juiz Leandro Bittencourt Cano interrompesse temporariamente a transmissão do júri.

Enquanto a promotoria tentou reforçar as provas técnicas apresentadas pelo engenheiro e pelo biólogo, a defesa colocou essas provas em xeque, tentando fazer com que os jurados fiquem em dúvida sobre a exatidão dos estudos. A estratégia da defesa é mostrar que nos dois casos há uma margem de erro que pode beneficiar o acusado.

O caso

A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após deixar a casa dos avós em Guarulhos (Grande São Paulo), e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela levou um tiro no rosto, um tiro no braço esquerdo e outro na mão direita, mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água.

O ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, foi apontado como principal suspeito pelo crime e denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a investigação, Mércia namorou durante cerca de quatro anos com Mizael, que não se conformava com o fim do relacionamento amoroso. A Promotoria também denunciou o vigia Evandro Bezerra Silva, que teria o ajudado a fugir do local, mas seu julgamento ocorrerá separadamente, em julho deste ano.

Preso em Sergipe dias depois da morte de Mércia, Evandro afirmou ter ajudado Mizael a fugir, mas alegou posteriormente que foi obrigado a confessar a participação no crime, sob tortura. Entretanto, rastreamento de chamadas telefônicas feito pela polícia com autorização da Justiça colocaram os dois na cena do crime, de acordo com as investigações. Outra prova que será usada pela promotoria é um laudo pericial de um sapato de Mizael, no qual foram encontrados vestígio de sangue, partículas ósseas, vestígios do projétil da arma de fogo e uma alga típica de áreas de represa.

Mizael teve sua prisão decretada pela Justiça em dezembro de 2010, mas se escondeu após considerar a prisão "arbitrária e injusta", ficando foragido por mais de um ano. Em fevereiro de 2012, porém, ele se entregou à Justiça de Guarulhos e, desde então, aguardava ao julgamento no Presídio Militar de Romão Gomes - enquanto o vigia permanece preso na Penitenciária de Tremembé. Mizael nega ter assassinado Mércia e disse, na ocasião, que a tratava como "uma rainha". Já o vigia afirmou, em depoimento, que não sabia das intenções do advogado e que apenas lhe deu uma carona. Se condenados, eles podem ficar presos por até 30 anos.


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