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quinta, 05 de agosto de 2021
quinta, 11 de junho de 2015 - 15:20

Mãe que lutou por maconha medicinal quer legalização da erva

Desde que começou um tratamento à base de canabidiol (CBD), um dos derivados da maconha, a vida de Anny Fischer, hoje com sete anos, mudou. Portadora da síndrome CDKL5, uma doença genética rara que causa epilepsia grave, Anny chegou a ter 80 convulsões por semana; hoje, após quase dois anos usando o CBD, tem crises esporádicas. O canabidiol não é produzido nem vendido no Brasil, e sua importação só foi legalizada em janeiro de 2015, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o excluiu da lista de substâncias proibidas e o reclassificou como substância de uso controlado. Até então, só era possível importar o CBD na clandestinidade ou por meio de autorização judicial. E foi isso que Katiele Fischer, mãe de Anny, acabou fazendo: "traficou" o canabidiol até abril de 2014, quando se tornou a primeira brasileira a ganhar na Justiça o direito de importar a substância. Um frasco de CBD pode custar de US$ 200 a US$ 500 (o equivalente a R$ 620 e R$ 1.550, hoje). Como se não bastasse, os pacientes precisam retirar o produto diretamente nos aeroportos – a maior parte acaba aterrissando no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Outra opção é contratar um despachante aduaneiro para fazer a liberação do CBD, o que também não sai barato. Diante do custo elevado e da burocracia da importação, Katiele defende a regulamentação da maconha no Brasil. “A legalização seria ideal, pois teríamos produção nacional, o que reduziria os custos”, afirma. Ela diz que a questão “mais urgente” é o uso medicinal, mas cita a superlotação das cadeias brasileiras como um fato a ser considerado na revisão da política de drogas no País. “A bandeira principal é a maconha medicinal, para o tratamento de várias doenças. Mas a superlotação nas cadeias do Brasil é uma coisa real. E se você observar as estatísticas, você vai ver que muitas das pessoas que estão ali não são traficantes, são vítimas da situação do tráfico. Então eu acho que, se a gente regulamentar a maconha, nós vamos ter um quadro diferente no Brasil em diversas situações”, afirma. Desde que o canabidiol foi reclassificado, a Anvisa já recebeu 578 pedidos de importação, dos quais 500 foram concedidos – é necessário ter receita médica e enviar uma série de documentos. Além da epilepsia refratária, podem ser tratadas com CBD doenças como esclerose múltipla, glaucoma e anorexia, além de dores crônicas. De acordo com Katiele, o objetivo agora é lutar pela liberdade. “O nosso foco é garantir o direito de escolha. A pessoa tem que ter o direito de escolher como e com o que ela quer se tratar. Epilepsia não espera, dor crônica não espera.”
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