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quarta, 22 de setembro de 2021
sexta, 13 de setembro de 2013 - 11:00

Pagodeiro é condenado a 33 anos de prisão por morte de ex-mulher

O pagodeiro Evandro Gomes Correia Filho foi condenado, na noite desta quinta-feira (12), a 33 anos e 20 dias de reclusão em regime fechado pelo homicídio de sua ex-companheira Andréia Cristina Bezerra Nóbrega e pela tentativa de assassinato do próprio filho, segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo. O crime ocorreu em 18 de novembro de 2008. Na época, o menino estava com 6 anos.

Das seis testemunhas de defesa previstas para serem ouvidas no júri nesta quinta-feira, cinco foram dispensadas. Apenas a irmã do acusado prestou depoimento. O músico se apresentou à Justiça após ficar foragido por quase cinco anos - desde novembro de 2008 - e foi interrogado durante uma hora e meia. Após os debates, o Conselho de Sentença se reuniu para o veredito. A juíza Maria Gabriela Riscali Tojeira realizou a leitura da sentença às 22 horas, no fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo.

Preso

O pagodeiro compareceu ao fórum no final da manhã desta quinta-feira. Ele chegou sem disfarces, entrou pela porta da frente e disse aos jornalistas que provaria que era inocente. Segundo ele, a ex-mulher Andréia Cristina Bezerra Nóbrega cometeu suicídio.

Nesta manhã, foi ouvida a irmã do réu, Evandra. Nesta quarta-feira (11), primeiro dia do júri, foram ouvidas 11 testemunhas ao todo, sendo sete de acusação, entre elas, o filho do casal, além de quatro testemunhas de defesa.

Segundo o promotor Rodrigo Merli, o menino Lucas, agora com 11 anos, manteve a versão para a morte da mãe durante o julgamento do pai.

De acordo com o Ministério Público, o depoimento do menino foi suficiente para convencer os jurados. “O depoimento do Lucas foi firme e coerente. Ele contou a mesma versão que ele declinou logo após os fatos, ou seja, não mudou nada. Ele foi preciso, não se atrapalhou, não gaguejou”, disse Merli durante um intervalo no julgamento.

Lucas descreveu o que aconteceu naquele dia, segundo o promotor. “Ele disse que chegou da escola com a mãe e o pai ainda não estava no apartamento. O pai chegou quando ele estava tomando banho e estava diferente de como costumava parecer, estava com os olhos vermelhos. O Lucas tinha saído do banho, ele pegou o menino pelo braço e jogou no sofá. Pegou a faca e, apesar de o menino não ter visto [o pagodeiro cortando a mangueira do gás], lembra de ter ouvido o pai dizer que ia explodir tudo”, afirmou Merli.

Ele acrescentou, ainda segundo o promotor, que a mãe, no desespero, o pegou no colo, se dirigiu até a janela, o soltou e depois pulou. Merli ressalta que a criança usou a expressão que a mãe “o salvou”. O depoimento da criança foi fechado ao público por causa da idade do menino e os jornalistas não puderam acompanhar de dentro do plenário.

Julgamento

Duas mulheres e cinco mulheres foram sorteados como jurados. O júri foi presidido pela juíza Maria Gabriela Riscali Tojeira. O filho do réu foi ouvido por 40 minutos nesta quarta-feira. Em seguida, foi ouvida a testemunha de acusação Eliana Curapolo, médica psiquiátrica que teve contato com os depoimentos e desenhos feitos pelo menino que estão atrelados ao processo. “Surpreendentemente, ele se expressou muito bem. Conseguiu falar logo em seguida coisas muito importantes, deixando claro para mim o que aconteceu”, disse.

Alguns pareceres da defesa dizem que depoimentos de crianças são, geralmente, desprezados. Ela discordou, dizendo que "criança não mente" e "que não pode ser totalmente influenciada por algum adulto ou familiar". “Mesmo que algum adulto fale alguma coisa, a essência não muda”, afirmou. Segundo ela, o depoimento da criança foi coerente porque, logo após o ocorrido e na frente do júri o menino disse a mesma coisa.

O promotor que apresentou a denúncia é o mesmo que obteve a condenação do advogado e policial militar reformado Mizael Bispo de Souza pela morte de Mércia Nakashima.

De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo, foram arroladas ao menos 20 testemunhas, sendo dez da defesa e outras dez da acusação, para serem ouvidas no júri de Evandro Filho. Logo no início da sessão desta quarta, três testemunhas da acusação foram dispensadas. 

A assistente administrativa Joselene Bezerra Nóbrega, 42 anos, disse que o sobrinho Lucas, de 11 anos, passou muito mal nesta manhã antes de chegar ao fórum. "Ele não está bem, está muito abalado, muito abalado mesmo", lamentou a tia da criança e irmã da vitima.

Janete disse que não ter muitas expectativas sobre a condenação do réu por causa da legislação brasileira. "É acreditar em Deus e a justiça será feita, mas a [justiça] de Deus, com certeza a de Deus". Ela conta que quando o sobrinho soube que ia depor foi um momento muito difícil porque a criança teve que rever os vídeos do que tinha acontecido.

A professora Janete Nakashima, de 54 anos, mãe de Mércia, esteve no fórum na manhã de quarta-feira para acompanhar o julgamento. "Vim dar um apoio à família e levar o Lucas [filho do pagodeiro] assim que ele depor, porque ele já sofreu muito e é muito triste pra ele depor contra o pai", disse Janete. O garoto ficará na casa dela durante os dias de julgamento.

Entrevista

Em entrevista por telefone ao G1, em maio deste ano, Evandro garantiu que estaria presente ao primeiro julgamento, que havia sido marcado para dia 8 de maio, mas o júri acabou adiado pelo juiz Paulo Eduardo de Almeida Chaves Marsiglia. Ele alegou não aguentar mais viver na clandestinidade, longe da família, e que, por esse motivo, iria se apresentar para tentar provar sua inocência.

O adiamento ocorreu por causa de provas que tinham acabado de ser adicionadas ao processo, como um parecer psiquiátrico particular apresentado pela defesa que indicaria que a ex-mulher do músico, Andréia Cristina Bezerra Nóbrega, tinha tendências suicidas. Também foram juntados 15 vídeos com quatro horas de duração e mensagens de torpedos de celular recebidas pelo réu. O novo prazo foi concedido para permitir a análise mais detalhada dos novos documentos.

Na mesma entrevista de maio deste ano, Evandro negou ter provocado a morte de Andréia Cristina Bezerra Nóbrega e disse que não tentou tirar a vida do seu filho, então com 6 anos, em 18 de novembro de 2008.

A acusação, por sua vez, afirma que as vítimas pularam do terceiro andar do apartamento onde moravam porque o músico as teria ameaçado com uma faca, chegando inclusive a cortar a mangueira do gás de cozinha com o intuito de explodir o imóvel.

Suicídio

Evandro, que se mantinha escondido e usa disfarces para não ser identificado e detido, alega em sua defesa que Andréia se suicidou. Segundo o pagodeiro, a ex tinha ciúmes dele com sua nova mulher e queria reatar o relacionamento, mas ele recusou, dizendo que havia sido pai novamente.

Sobre seu filho, não soube explicar como o garoto caiu. “Eu tinha mandado ele para o quarto. Quando ouvi o barulho da queda e fui olhar pela janela, ele também estava lá embaixo. Bateu um desespero total. A cabeça girou. Fui buscar socorro.”

Omissão de socorro

Sobre a omissão de socorro, por não ter ajudado a ex e o filho quando saiu do prédio e os viu na calçada, o pagodeiro alegou que ficou com medo de ter sido linchado pelas outras pessoas na rua.

O artista afirma que havia encontrado Andréia num shopping e foi com a ex ao apartamento para visitar o filho. Mas, segundo a acusação, era o artista que tinha ciúmes de Andréia. De acordo com o Ministério Público, o pagodeiro cortou a mangueira de gás e ameaçou a ex e o menino com uma faca quando entrou no prédio.

Logo após o crime, Josilene Nóbrega, irmã de Andréia, relatou à imprensa agressões de Evandro a Andréia. Em 2007, a ex do pagodeiro chegou a registrar boletim de ocorrência denunciando ameaças do músico desde a separação do casal. Informou que o pagodeiro iria “dar uns tiros” na cara dela.

Em 29 de setembro de 2010, durante as eleições presidências e governamentais, ele deu entrevista coletiva disfarçado com peruca, cavanhaque postiço e óculos escuros. Naquela ocasião, o pagodeiro não podia ser preso porque a lei eleitoral impede prisões de quem não tem sentença condenatória definitiva antes de pleitos.


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