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terça, 13 de abril de 2021
sexta, 9 de novembro de 2012 - 09:40

Para lucrar, tráfico mistura droga a cafeína e até a veneno contra barata

A dependência química alimenta um mercado ilegal, criminoso e desleal. No varejo do tráfico, a ordem é lucrar. Desta forma, entram em cena vários recursos para ludibriar o “cliente”: cafeína, lidocaína e até veneno para barata. Mas o que escapa aos olhos e sentidos humanos é detectado em minutos por reagentes químicos e equipamentos no IALF (Instituto de Análises Laboratoriais Forenses), em Campo Grande.

Para a Capital, afluem amostras de todas as substâncias análogas a entorpecentes apreendidas no Estado. Fronteira com a Bolívia, porta de entrada da cocaína, e o Paraguai, que abastece o mercado nacional de maconha, em Mato Grosso do Sul o trabalho dos peritos é intenso. De acordo com o químico e perito criminal Evandro Rodrigo Pedão, são 200 análises de drogas na semana.

O primeiro passo é armazenar parte do material para contraprova. Cumprido o procedimento de praxe, a pasta-base ou a coca em pó vão para o teste de Scott. Com algumas gotinhas de reagente, já é possível verificar se há presença de cocaína no material analisado. Quanto mais pura, mais azulado fica.

Depois, equipamentos desvendam tudo o que forma o material analisado. Se a apreensão foi mais próxima a Corumbá, na fronteira da Bolívia, o entorpecente tem mais chances de ser o cloridrato de cocaína, versão “pura”.

Já se foi na divisa com São Paulo, por exemplo, o mais provável é que o aparelho cromatógrafo revele um combinado de substâncias, estratégia para o entorpecente render mais. Ou, muitas vezes, mistura apenas de cafeína, lidocaína e o ácido bórico, o pó branco conhecido popularmente como veneno para barata.

Conforme o perito, as combinações químicas são feitas para provocar as sensações da droga. A cafeína estimula o nariz, enquanto a lidocaína deixa a boca dormente. Evandro leva os conhecimentos do laboratório para palestras em escolas.

A química auxilia a desvendar porque e tão fácil trilhar o caminho da dependência. Conforme o perito, o organismo tem os seus neurotransmissores em equilíbrio. Como a dopamina (que atua na motivação), a adrenalina (estimulante) e a noradrenalina (que influencia humor, ansiedade, sono). “Com a droga, o organismo diminui a produção, porque passa a esperar a compensação externa”, explica.

Tida como a mais inofensiva das drogas ilícitas, a maconha causa danos permanente nos neurônios. “Não vai nunca mais recuperar a função”, enfatiza.

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