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quinta, 19 de setembro de 2013 - 15:50

Lesão cerebral pode aumentar risco de AVC, diz estudo

Sabe-se que o AVC é geralmente ligado a adultos acima dos 65 anos que possuem algum fator de risco, como hipertensão ou colesterol alto.

Agora, pesquisadores do departamento de neurologia da University of Michigan Medical School (EUA) descobriram que pessoas que sofreram uma lesão traumática no cérebro têm mais chances de sofrer um AVC na faixa dos 50 anos.

Os resultados foram publicados online dia 26 de junho da revista Neurology.

O estudo analisou vários bancos de dados de hospitais da Califórnia, de pessoas que foram para o departamento de emergência ou receberam alta do hospital entre 2005 e 2009.

Foram acompanhadas mais de 400 mil pessoas com lesão cerebral traumática e mais de 700 mil pessoas com traumatismo craniano, mas nenhuma lesão cerebral. A idade média dos participantes foi de cerca de 50 anos.

Em um período de 28 meses, mais de 11.000 pessoas com lesão cerebral (1,1%) tiveram um AVC isquêmico.

Entre aqueles que tiveram trauma, mas nenhuma lesão cerebral, apenas 0,9% sofreu um acidente vascular cerebral. Embora essa diferença parecer pequena, os autores afirmam que é muito significativa, porque o risco global de derrame para as pessoas dessa faixa etária é pequeno.

Depois de levar em conta fatores que podem afetar o risco de acidente vascular cerebral, tais como doenças cardíacas, pressão alta, colesterol elevado, a gravidade do trauma e a idade, os cientistas descobriram que aqueles com lesão cerebral eram 30% mais propensos a desenvolver um acidente vascular cerebral do que aqueles com trauma, mas nenhuma lesão.

Os estudiosos afirmam que a resposta mais provável para essa ligação seja a de que a lesão cerebral cause uma diminuição do fluxo sanguíneo na região, podendo gerar um entupimento dos vasos sanguíneos cerebrais.

No entanto, eles observaram que a relação entre trauma e acidente vascular cerebral ainda é incerta, sendo necessárias mais pesquisas.

Saiba como evitar um AVC
O AVC é responsável pela morte de cinco milhões de pessoas no mundo a cada ano, de acordo com a OMS. No Brasil, a doença mata mais que o infarto: são mais de 100 mil pessoas por ano, segundo o Ministério da Saúde.

"Popularmente conhecido como derrame, o acidente vascular cerebral é uma alteração do fluxo de sangue no cérebro, que ocorre por falta ou extravasamento de sangue em alguma região do corpo", explica o neurologista André Lima, do Hospital Barra D'or, especialista em prevenção dessa doença.

Mas é possível se prevenir de um AVC, já que a maioria dos fatores de risco para o quadro clínico pode ser evitada.

"Quanto mais idade a pessoa tiver, maiores são as chances de derrame e, por isso, os cuidados devem ser redobrados", alerta o neurologista Maurício Hoshino, do Hospital das Clínicas e Santa Catarina.

Conheça esses fatores e saiba como combatê-los, além de ficar atento aos sintomas.
Colesterol alto
O excesso de colesterol no sangue aumenta o espessamento e endurecimento das artérias.

"Placas de colesterol e conteúdos gordurosos se depositam lentamente na artéria, fazendo com que ela se feche aos poucos e impeça a passagem de fluxo sanguíneo", explica Maurício Hoshino.

Esse processo provoca arteriosclerose - endurecimento das artérias - e prejudica a oxigenação do cérebro, aumentando o risco de AVC.

Sedentarismo e obesidade
A prática de exercícios físicos é fundamental para controlar praticamente todos os fatores de risco de AVC. Por outro lado, a falta desse hábito e a obesidade só aumentam as chances.

"Pressão alta, colesterol elevado, diabetes e doenças cardíacas são complicações decorrentes do excesso de peso e precisam ser prevenidas e controladas com bons hábitos, o que inclui atividade física regular", alerta Maurício Hoshino.

Má alimentação
Uma vez que diabetes, colesterol, obesidade e hipertensão aumentam as chances de AVC, todos os cuidados para controlar essas doenças servem de prevenção - e a alimentação ganha destaque.

Fazer uma dieta balanceada, moderar o consumo de sódio (para pressão alta), evitar alimentos ricos em colesterol e gorduras saturadas (frituras), controlar o consumo de açúcar (para diabetes) são alguns dos hábitos que devem fazer parte da rotina.

Pressão alta
A pressão alta ocupa o topo do ranking de maiores causas de acidente vascular cerebral. O neurologista André Lima explica que as paredes internas das artérias sofrem traumas por causa do fluxo do sangue mais forte.

"Esses traumas formam pequenos ferimentos nas paredes, que podem obstruir a passagem do sangue (AVC isquêmico) ou romper a parede da artéria (AVC hemorrágico)", explica.

É possível, entretanto, controlar a hipertensão com medicação e hábitos saudáveis, como reduzir o consumo de sal da alimentação e praticar exercícios.

Excesso de açúcar no sangue
O excesso de glicose no sangue - característica do diabetes - aumenta a coagulação do sangue e o deixa mais viscoso. "Isso diminui o fluxo de sangue das artérias e pode levar a um AVC", conta André Lima.

Além disso, é comum que pessoas com diabetes também apresentem sobrepeso, colesterol alto e pressão alta - todos fatores de risco de derrame cerebral. Mas vale lembrar que esses problemas - inclusive diabetes - podem ser controlados com tratamento médico regular e hábitos de vida saudáveis.

Tabagismo
Substâncias do cigarro fazem com que a coagulação do sangue aumente. Com isso, o sangue fica mais grosso e fluxo nas artérias, por sua vez, fica prejudicado, aumentando as chances de um derrame.

"Pessoas que fumam e usam contraceptivos orais têm riscos maiores ainda, pois os hormônios dos anticoncepcionais também interferem na coagulação sanguínea", explica André Lima.

Doenças do coração
De acordo com o neurologista André Lima, arritmias cardíacas podem formar pequenos coágulos dentro das artérias e veias do coração. "Esses coágulos podem ser enviados às artérias cerebrais, provocando um AVC isquêmico", explica.

O neurologista Maurício Hoshino, do Hospital das Clínicas, de São Paulo, também lembra que há uma série de problemas do coração que podem atrapalhar o fluxo sanguíneo e aumentar as chances de derrame.

"Um deles é o Forame Oval Patente (FOP), uma má formação do coração que atinge 15% da população e faz com que coágulos que deveriam ser filtrados pelo pulmão permaneçam na circulação, aumentando o risco de AVC, inclusive, em jovens", explica.

Sintomas do AVC
Quem sofrer um AVC do tipo isquêmico (com incidência três vezes maior que o tipo hemorrágico) tem até quatro horas e meia para ser socorrido e reduzir o risco de sequelas ou risco de morte, como explica o neurologista Maurício Hoshino.

"É possível perceber os sintomas através da sigla SAMU, que significa dar um Sorriso, para verificar desvios na boca; tentar dar um Abraço, para ver se há dificuldade de levantar os braços e tentar cantar uma Música, para ver se há dificuldade de fala e processamento do cérebro", conta.

Infelizmente, Hoshino conta que menos de 5% dos pacientes que frequentam o Hospital Santa Catarina e Hospital das Clínicas, onde ele trabalha, chegam antes do período de quatro horas.(Minha Vida)

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