Entrevista com Mariana Ximenes
Na Toscana, onde gravou cenas de Passione, próxima novela da Globo, em que interpretará a primeira vilã de sua carreira, ela aproveitou para refletir sobre a fase após o fim do casamento de oito anos. E assume seu otimismo no mundo.
Mariana Ximenes atravessa uma fase de transformações, definida por ela como um ''novo movimento interno''. As mudanças não são influência da chegada dos 30 anos - na segunda-feira (26), ela completou 29 -, quando muitas mulheres se questionam sobre a vida. ''Não me preocupo com isso. Para mim, idade é experiência'', ensina. Mas há indícios dos motivos do tal ''movimento interno'', e o principal deles é refazer a vida amorosa depois do fim de seu casamento de oito anos com o produtor de cinema Pedro Buarque de Hollanda, 44, em junho do ano passado. ''Estou vivendo'', resume.
A outra pista? Mariana vai fazer a primeira vilã de sua carreira na TV: ela é Clara, em Passione, novela de Silvio de Abreu que substitui Viver a Vida, ambas da Globo. Parte das cenas da nova trama foi gravada em cidades da Toscana, na Itália, onde Mariana passou 40 dias trabalhando. As belas paisagens ajudaram a atriz a repensar esse novo momento. ''Esta viagem teve um lado mágico, de contato comigo, interno'', completa. A seguir, acompanhe a entrevista exclusiva que a atriz concedeu a CONTIGO!:
Como foram os dias na Itália?
Em Florença, aproveitei para andar de bicicleta, um costume que já tenho no Rio de Janeiro. Foi muito gostoso. Eu passei a Páscoa na Itália. Em Siena, assisti a uma missa no Duomo, em um sábado, à meia-noite. Foi muito especial. A igreja é linda, suntuosa, tem energia e magia. Também viajamos até Assis em um dia de folga. É a cidade de São Francisco de Assis e de Santa Clara. Quando chegamos à igreja, havia uma missa em alemão e cantos gregorianos. Foi lindo. Minha ida para Assis foi muito forte e veio a calhar com um momento de introspecção, um novo movimento interno.
Introspecção?
Todos nós passamos por mudanças. Elas são benéficas. Por meio delas amadurecemos, começamos a ver as coisas por outros ângulos, é um novo olhar perante a vida. Transformação é bom.
A análise faz parte desse processo?
A análise ajuda bastante. Eu faço há dez anos. É um tempo para analisar minhas questões, me ouvir. Agora, estou aprendendo a meditar também. A meditação traz uma concentração, é uma reflexão interna. Faço sozinha mesmo, trabalhando a respiração, conectada com meu eixo.
Logo que se separou, você foi morar na casa de sua mãe (Fátima Ximenes, 55). Sempre busca colo nos momentos difíceis...
Dona Fátima é uma supermãe! (risos). Acho que essa minha volta para casa foi significativa. Saí de casa aos 17 anos, três anos depois, eu me casei. Tudo muda muito, pois eu já estava havia dez anos fora. Quando voltei, ela não sabia mais do que eu gostava de comer, de como eu lidava com a vida, dos meus horários. Agora, não é mais a mãe e uma criança. São duas mulheres. Não existe nada mais acolhedor do que colo de mãe, do que carinho de mãe e até bronca de mãe (risos). Mas hoje nossa relação é mais madura. Essa readaptação foi bem tranquila e eu já estou morando sozinha de novo.
Você se sente disposta a iniciar uma nova relação?
Sim, estou disposta. Estou vivendo.
Em algum momento se arrependeu de ter casado tão cedo?
Não, não me arrependi. Eu penso muito antes de fazer escolhas, mas também deixo minha vida fluir. Não há hora certa para nada. Planejar é muito difícil, pois às vezes vem algo que nos atropela e temos de mudar o rumo e manter o prumo. Como diz Zeca Pagodinho, deixo a vida me levar...
Você passa a imagem de uma mulher calma e doce. Essa é a verdadeira Mariana?
Eu sou bem agitada. Sou enérgica. Eu gosto da vida. Cheguei da Itália no sábado, e no domingo eu já estava na Cidade de Deus em um projeto social da Cufa (Central Única das Favelas). Eu faço um milhão de coisas no meu dia, sou comprometida, determinada, organizada no meu caos.
E o que tira você do sério?
Ih, tanta coisa... Por exemplo: o trânsito. Eu aprendi a xingar baixo porque ouvimos tanta notícia de gente que anda armada... Então, eu xingo com o vidro fechado, para liberar a raiva. Não dá para ter autocontrole e ficar com aquilo guardado (risos). Boto uma música, olho a paisagem do Rio e vou embora.
Como você lida com a ideia de servir como referência para tantas mulheres?
É uma baita responsabilidade, assusta um pouco. Procuro ser fiel e flexível com minhas opiniões, mas não sou fechada, gosto de ser questionada e me questiono. Devo muito da minha formação à minha família.
Está preparada para ser odiada nas ruas com sua primeira vilã?
Faço meu trabalho com prazer, disciplina, e o resultado eu vou deixar para o público me surpreender. Esse papel está sendo muito instigante. Admiro muito o trabalho das grandes atrizes que fizeram vilãs. Gloria Pires como Maria de Fátima, em Vale Tudo, Cláudia Abreu como Laura, em Celebridade, Renata Sorrah como Nazaré, em Senhora do Destino, e Patrícia Pillar como Flora, em A Favorita, são grandes inspirações para mim. Não temo ser odiada nas ruas. Que eu seja. Está tudo certo (risos).
Voltando aos 40 dias passados na Itália, como resistiu a tantas delícias?
Eu tive de me controlar porque estou gravando, não foram férias. É claro que dá para deixar o trabalho mais prazeroso. Eu tentava me controlar um pouquinho, mas já que estávamos no lugar das massas, das tagliatas, da bisteca Fiorentina, por que não provar? Sou curiosa, gosto de experimentar comidas diferentes. Vinha cada pedação de bisteca no prato... Eu gosto de carne, gosto de comer bem. Minha família tem uma porção italiana, meu sobrenome é Nuzzi (fala com sotaque italiano). Tenho uma nona que faz lasanha muito bem.
E o que faz para manter a forma?
Os personagens ditam meu corpo, mas primeiro eu penso na saúde. Como trabalho em TV, cinema e teatro, eu tenho alguns cuidados com a pele, mas não enlouqueço. Passo um creme, sempre tiro a maquiagem e uso filtro solar porque sou branquinha. Espero ter lucidez para não exagerar. Ainda acredito que o segredo da beleza é ter humor, leveza, resolver os problemas, não guardar rancor e falar o que se pensa. Às vezes, tomo um banho de cachoeira. É uma boa maneira de me purificar.
Você está sempre envolvida com projetos sociais. Que esperança deposita no futuro?
Quando eu acredito em algo, eu me dedico mesmo. Existem muitos projetos bacanas, como a Cufa, o Nós do Morro, o AfroReggae. Por meio da arte, as pessoas ganham outro olhar para a vida. É possível se libertar de um mundo cruel, da pobreza e da violência. Eu tenho esperança, apesar de não fechar os olhos para a realidade. Eu sou otimista.
A outra pista? Mariana vai fazer a primeira vilã de sua carreira na TV: ela é Clara, em Passione, novela de Silvio de Abreu que substitui Viver a Vida, ambas da Globo. Parte das cenas da nova trama foi gravada em cidades da Toscana, na Itália, onde Mariana passou 40 dias trabalhando. As belas paisagens ajudaram a atriz a repensar esse novo momento. ''Esta viagem teve um lado mágico, de contato comigo, interno'', completa. A seguir, acompanhe a entrevista exclusiva que a atriz concedeu a CONTIGO!:
Como foram os dias na Itália?
Em Florença, aproveitei para andar de bicicleta, um costume que já tenho no Rio de Janeiro. Foi muito gostoso. Eu passei a Páscoa na Itália. Em Siena, assisti a uma missa no Duomo, em um sábado, à meia-noite. Foi muito especial. A igreja é linda, suntuosa, tem energia e magia. Também viajamos até Assis em um dia de folga. É a cidade de São Francisco de Assis e de Santa Clara. Quando chegamos à igreja, havia uma missa em alemão e cantos gregorianos. Foi lindo. Minha ida para Assis foi muito forte e veio a calhar com um momento de introspecção, um novo movimento interno.
Introspecção?
Todos nós passamos por mudanças. Elas são benéficas. Por meio delas amadurecemos, começamos a ver as coisas por outros ângulos, é um novo olhar perante a vida. Transformação é bom.
A análise faz parte desse processo?
A análise ajuda bastante. Eu faço há dez anos. É um tempo para analisar minhas questões, me ouvir. Agora, estou aprendendo a meditar também. A meditação traz uma concentração, é uma reflexão interna. Faço sozinha mesmo, trabalhando a respiração, conectada com meu eixo.
Logo que se separou, você foi morar na casa de sua mãe (Fátima Ximenes, 55). Sempre busca colo nos momentos difíceis...
Dona Fátima é uma supermãe! (risos). Acho que essa minha volta para casa foi significativa. Saí de casa aos 17 anos, três anos depois, eu me casei. Tudo muda muito, pois eu já estava havia dez anos fora. Quando voltei, ela não sabia mais do que eu gostava de comer, de como eu lidava com a vida, dos meus horários. Agora, não é mais a mãe e uma criança. São duas mulheres. Não existe nada mais acolhedor do que colo de mãe, do que carinho de mãe e até bronca de mãe (risos). Mas hoje nossa relação é mais madura. Essa readaptação foi bem tranquila e eu já estou morando sozinha de novo.
Você se sente disposta a iniciar uma nova relação?
Sim, estou disposta. Estou vivendo.
Em algum momento se arrependeu de ter casado tão cedo?
Não, não me arrependi. Eu penso muito antes de fazer escolhas, mas também deixo minha vida fluir. Não há hora certa para nada. Planejar é muito difícil, pois às vezes vem algo que nos atropela e temos de mudar o rumo e manter o prumo. Como diz Zeca Pagodinho, deixo a vida me levar...
Você passa a imagem de uma mulher calma e doce. Essa é a verdadeira Mariana?
Eu sou bem agitada. Sou enérgica. Eu gosto da vida. Cheguei da Itália no sábado, e no domingo eu já estava na Cidade de Deus em um projeto social da Cufa (Central Única das Favelas). Eu faço um milhão de coisas no meu dia, sou comprometida, determinada, organizada no meu caos.
E o que tira você do sério?
Ih, tanta coisa... Por exemplo: o trânsito. Eu aprendi a xingar baixo porque ouvimos tanta notícia de gente que anda armada... Então, eu xingo com o vidro fechado, para liberar a raiva. Não dá para ter autocontrole e ficar com aquilo guardado (risos). Boto uma música, olho a paisagem do Rio e vou embora.
Como você lida com a ideia de servir como referência para tantas mulheres?
É uma baita responsabilidade, assusta um pouco. Procuro ser fiel e flexível com minhas opiniões, mas não sou fechada, gosto de ser questionada e me questiono. Devo muito da minha formação à minha família.
Está preparada para ser odiada nas ruas com sua primeira vilã?
Faço meu trabalho com prazer, disciplina, e o resultado eu vou deixar para o público me surpreender. Esse papel está sendo muito instigante. Admiro muito o trabalho das grandes atrizes que fizeram vilãs. Gloria Pires como Maria de Fátima, em Vale Tudo, Cláudia Abreu como Laura, em Celebridade, Renata Sorrah como Nazaré, em Senhora do Destino, e Patrícia Pillar como Flora, em A Favorita, são grandes inspirações para mim. Não temo ser odiada nas ruas. Que eu seja. Está tudo certo (risos).
Voltando aos 40 dias passados na Itália, como resistiu a tantas delícias?
Eu tive de me controlar porque estou gravando, não foram férias. É claro que dá para deixar o trabalho mais prazeroso. Eu tentava me controlar um pouquinho, mas já que estávamos no lugar das massas, das tagliatas, da bisteca Fiorentina, por que não provar? Sou curiosa, gosto de experimentar comidas diferentes. Vinha cada pedação de bisteca no prato... Eu gosto de carne, gosto de comer bem. Minha família tem uma porção italiana, meu sobrenome é Nuzzi (fala com sotaque italiano). Tenho uma nona que faz lasanha muito bem.
E o que faz para manter a forma?
Os personagens ditam meu corpo, mas primeiro eu penso na saúde. Como trabalho em TV, cinema e teatro, eu tenho alguns cuidados com a pele, mas não enlouqueço. Passo um creme, sempre tiro a maquiagem e uso filtro solar porque sou branquinha. Espero ter lucidez para não exagerar. Ainda acredito que o segredo da beleza é ter humor, leveza, resolver os problemas, não guardar rancor e falar o que se pensa. Às vezes, tomo um banho de cachoeira. É uma boa maneira de me purificar.
Você está sempre envolvida com projetos sociais. Que esperança deposita no futuro?
Quando eu acredito em algo, eu me dedico mesmo. Existem muitos projetos bacanas, como a Cufa, o Nós do Morro, o AfroReggae. Por meio da arte, as pessoas ganham outro olhar para a vida. É possível se libertar de um mundo cruel, da pobreza e da violência. Eu tenho esperança, apesar de não fechar os olhos para a realidade. Eu sou otimista.
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