Entrevista com Glória Maria


De volta à TV após dois anos afastada, agora na equipe do Globo Repórter, a jornalista diz estar em seu melhor momento, feliz com o trabalho, com a maternidade e com seu novo amor .

Glória Maria acorda às 6h30, no quarto das filhas, Maria, 2, e Laura, 1. É ali que ela dorme todos os dias, na bicama da mais velha. Já em pé, dá mamadeira, troca as fraldas, escova os dentes e escolhe a roupa que as meninas vão usar. É sua nova rotina. Até o início do ano passado, quando conheceu Maria e Laura em um abrigo em Salvador e resolveu adotá-las, Glória nunca tinha pensado em ser mãe. ''Não quis ter filho para a babá cuidar. Durmo tarde, acordo no meio da noite, levo e busco na escola. Não tenho um segundo para mim, mas nunca estive tão feliz na minha vida. Só ouvir mamãe toda hora já é o máximo'', diz a jornalista enquanto recebia a equipe de CONTIGO! em seu apartamento no Leblon, no Rio.

Estava na hora de levá-las ao colégio, e Glória chegou carregando-as, uma em cada braço. ''Esta é minha malhação, já que não tenho mais tempo para minhas caminhadas e meu pilates'', brinca. O banco traseiro do carro foi ocupado por duas cadeirinhas de bebê. No CD, toca a cantiga Marcha Soldado. Glória deixou as meninas na escola e foi para a Globo. Após dois anos sabáticos, voltou a trabalharna equipe de reportagem do Globo Repórter, em que estreou na última semana. ''Tem tudo a ver comigo, pois dediquei minhavida à reportagem. Não queria mais ser apresentadora, cansei do Fantástico.'' Para completar, vive um novo amor, com o economista Paulo Mesquita, 30. ''Deus está muito bom comigo!''

Em algum momento pensou em se aposentar? 

Não, nunca passou na minha cabeça parar. Só precisava desses dois anos. Eu sempre trabalhei demais. Sou de uma época em que éramos poucos repórteres, então fazia reportagem para todos os telejornais e ainda trabalhava no fim de semana. No Fantástico, às vezes viajava de segunda a sexta, editava no sábado e, no domingo, estava lá apresentando. Estava precisando mesmo desse tempo, curti de verdade cada segundo. Não vou dizer que senti saudade, que seria mentira. Mas, agora, voltei plena. E, nesse período fora, você continuou recebendo seu salário? É a pergunta que não quer calar! Mas isso eu não vou contar nunca. Só posso dizer que foi um presente extraordinário que a Globo me deu. Foi um reconhecimento por todos os meus anos de trabalho.

Mas você manteve o contrato? 

Claro. Quando pedi os dois anos sabáticos, meu contrato iria até 2011. Aí me chamaram e renovamos até 2016. Mesmo que não quisesse, teria de voltar a trabalhar. A menos que quisesse pagar uma multa de milhões (risos).

Conseguiu fazer tudo o que queria nesses dois anos longe da televisão? 

Eu queria escrever um livro, lançar um CD e fazer um trabalho com criança abandonada. O disco dançou, porque não sou a Mulher Maravilha. O trabalho com criança, consegui. E o livro, que é sobre sentimentos, espero terminar até agosto. A editora (Nova Fronteira) entendeu que com as meninas estava complicado...

E já pensava em adotar? 

Não! Nunca pensei em adotar nem em ter filho. Casei, mas não morei junto. Sou biruta mesmo. Sempre adorei criança, tenho quatro afilhadas. Uma delas, Júlia, é grudada em mim. Mas nunca quis ter filhos. Fui ao abrigo só porque queria ajudar as crianças. Mas minha vida mudou no momento em que vi as duas, não sei por que, mas minha alma se abriu. Foi um sentimento diferente.

Foi difícil adotar sozinha, sem elas terem um pai? 

Não existe nenhuma restrição em relação a isso. É folclore, mito. Por ser pessoa pública, foi tudo mais rigoroso. Eles não queriam que eu tivesse nenhum privilégio. Para conseguir a guarda, entrei com processo de destituição familiar. Tem defensoria pública, promotor, é igual a um julgamento. Fui avaliada por mais de cinco psicólogos. Recebi a guarda em maio e, em novembro, saiu a adoção definitiva.

O que mudou em você com a maternidade? 

Na verdade, continuo trabalhando, acordando cedo, tomando minhas pílulas e usando meus cremes. Não deixei de fazer nada. O que é importante, eu continuei fazendo (risos).

Continua tomando mais de pílulas por dia? 

Continuo. Sempre tomei e isso me faz muito bem. Não fico doente, tenho uma energia extraordinária, nunca precisei fazer plástica, lipoaspiração, nem botei botox. Para alguma coisa essas pílulas servem...

E não come? 

Não dá tempo. Durante o dia não tenho vontade de comer. Quando acordo, tomo pílula e suco de luz, e umas três claras de ovo cruas, que é proteína pura. E em jejum sempre tomo um copo de água morna com um limão espremido. Esse suco de luz é muito consistente, leva pepino, couve, hortelã, maçã, gengibre. Tomo um copão, que segura a onda.

Como é a alimentação das meninas? 

Neste sentido, sou rígida. Mas graças a Deus, elas adoram todas as verduras, frutas e legumes. Comem espinafre, quiabo, aipim, inhame, brócolis, couveflor, lentilha, feijão, além de fígado, frango e peixe. E também nunca tomaram refrigerante. Em festinha, de vez em quando, Maria come um pedaço de bolo ou um brigadeiro. Em casa, nunca. Laura nunca tomou nem iogurte. Criança come aquilo que você oferece.

Por causa delas, você disse que não tem mais tempo para malhar. Isso a tem estressado? 

Claro que não. É que, enquanto elas passeiam de manhã, organizo a casa, as contas. Quando penso em ir caminhar, elas estão voltando. Aí dou almoço, as deixo na escola às 14h, e vou para a Globo. Saio às 16h45, levo as meninas para casa e, se tem alguma coisa para fazer, ainda volto, se não, fico em casa com elas. Não dá tempo para malhar, mas continuo a mil. Elas são ativas, energéticas. Até nisso puxaram a mim, Laura e Maria têm uma energia extraordinária. Mas eu estou acostumada, tenho pique!

Sente-me mais jovem hoje depois de ser mãe? 

Não, eu me sinto exatamente do jeito que sou. Também não penso em idade. Não tenho essa preocupação. Mas nunca falei (sobre idade), por que ia falar agora? O que ia mudar?

Você diz que Maria e Laura se parecem com você, mesmo tendo sido adotadas...

Eu acho mesmo que elas são muito parecidas comigo. Elas não nasceram de mim, mas nasceram para mim. Maria passa creme do mesmo jeito que eu, batendo nas perninhas. Ela é muito engraçada, quer ser a minha cópia. E tem uma coisa que me emociona: ela adora cantar! Outro dia, estava cantando sozinha a música da novela Viver a Vida. Acho que o disco que sempre sonhei em gravar vai acabar sendo dela. Essa menina vai ser cantora...

Pelo visto, é uma mãe coruja... 

Faço tudo o que elas querem. Todo mundo diz que é errado, mas se elas me mandarem tirar a roupa, eu tiro. Sou mãe bobona mesmo. Leoa e protetora.

Trabalha menos hoje por causa delas? 

Hoje não tenho rotina, isso que é legal. Vou para a Globo às segundas-feiras, para a reunião de pauta, e não sou obrigada a ir lá todos os dias.

Não quis voltar para o Fantástico? 

Claro que não. Quando saí, disse que não ia voltar. Cansei. Era uma etapa ultrapassada e nunca andei para trás. No Globo Repórter é um começo. Isso é o que eu gosto.

Está gostando mais do Globo Repórter então? 

Precisava fazer algo que nunca tinha feito. Todo mundo quer apresentar, mas é meu momento de exercer meu lado repórter. qui a gente viaja, faz a reportagem, depois edita. Faz tudo. É um trabalho de equipe unida, e mais do que unida, é uma equipe amiga. Acho que esse sentimento de amizade e solidariedade é muito forte aqui.

Pensa em levar suas filhas em viagens a trabalho? 

Já estou tirando o passaporte delas e, quando der, vou levar. Dessa vez, fiquei 17 dias fora e foi um sofrimento grande para todo mundo. Elas sofreram, eu sofri. Foi a primeira vez que a gente se separou, uma experiência horrível. Eu chorava muito lá, senti muita saudade. Sou totalmente dependente delas.


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Foto: Assessoria de Imprensa
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