Entrevista com Tony Ramos
Trinta e seis anos atrás, Tony Ramos, 61 anos, pisou pela primeira vez na Itália, com Lidiane Barbosa, 57, sua mulher. Hoje ele tem a sensação de já ter morado naquele país. Pensa e diz: ''Se pudesse, viveria lá um tempo...''
Trinta e seis anos atrás, Tony Ramos, 61 anos, pisou pela primeira vez na Itália, com Lidiane Barbosa, 57, sua mulher. Hoje ele tem a sensação de já ter morado naquele país. Pensa e diz: ''Se pudesse, viveria lá um tempo...'' São os 50 dias que no começo do ano passou na Toscana (alguns dias em Roma, que ele adora e acha eterna) que o inspiram a afirmar isso. Pensa mais um pouco e descreve, depois de uma pergunta: ''Sou um eterno apaixonado, um grande romântico''. O comentário é sobre a mulher, com quem casou aos 20 e, 41 anos depois, ainda o faz deixar escapar a palavra ''apaixonadíssimo'' ao se referir a ela, espantando o ceticismo de quem não acredita tão facilmente em um amor duradouro. ''A Lidiane é Itália pura, o pai era italiano, a mãe é italiana'', completa o ator, que foi homenageado no 12º Prêmio Contigo! de TV, em maio. Ele faz questão de levar Lidiane em suas viagens - nessa eles aproveitaram para ter momentos a dois, ir ao cinema, tomar bons vinhos, comer uma pastasciutta, ou seja, viver na Itália, como deixou escapar um pouco antes. ''Faz parte da minha vida acompanhar meu marido e participar de sua vida'', diz Lidiane, parceira de todas as horas de Tony.
Que tal fazer uma novela chamada Passione? Você é um apaixonado após 40 anos de casamento?
Apaixonadíssimo, após 41 anos de casamento, senhoras e senhores! Casamento é um investimento de vida. Sou um eterno apaixonado, um grande romântico. Porém, de pés no chão. Olho para a minha companheira não mais com aquela paixão da imaturidade, do início, mas com uma paixão amadurecida, uma paixão verdadeira, uma paixão que dura, que fica.
Você se sente movido pela paixão? Sempre foi assim?
Graças a Deus. O dia em que deixar de me mover pela paixão, prefiro ser um aposentado do INSS - porque, de fato, sou um aposentado pelos anos de trabalho. Mas é sempre bom estar fazendo alguma coisa. Enquanto houver paixão dentro de mim, continuarei trabalhando. Eu escolhi essa profissão para criar minha família. Hoje tornou-se um prazer, mas continua sendo meu ganha-pão também. Ou vocês acham que posso parar de trabalhar porque virei um milionário da noite para o dia? Tenho de trabalhar para sustentar a casa (risos).
Você quis viajar para a Europa antes do elenco todo chegar, com Lidiane. Por quê? Foi a lazer ou já se preparando?
Foi como fiz na Grécia, em Belíssima. Para mim, era fundamental, fui ouvir as pessoas. Fui com minha mulher, tive uma despesa pessoal. Mas já me preparando, ou você acha que estava de brincadeira? Fui ao cinema, ficava ouvindo as pessoas comentando, descobri novas expressões. Por exemplo, no Brasil, todo mundo fala ''Cáspita!'', e na Toscana tem uma expressão linda que é ''Caspiterina''.
O que você fez nesse período antes das gravações?
O meu maior prazer é viajar. Desta vez, fiquei concentrado na Toscana, que era o que me interessava, e fui a Roma, porque ninguém é de ferro. Roma é cidade eterna mesmo. Ficamos andando, andando... Viajar, para nós, tem outro sabor. Não é ir ao shopping, que não suporto, ou comer e beber, que também fiz. Às vezes, basta ficar sentado numa praça durante uma hora só vendo as pessoas passarem.
O que o encanta na Itália?
O que mais encanta sempre é o design italiano, seja nos móveis, nas roupas, na postura das pessoas. O povo é muito próximo do nosso, ou melhor, nós somos próximos deles. Claro que eles têm problemas, enfrentam crises econômicas, não sou um bobo alegre que vai à Itália e fica só olhando o que é positivo. Mas é um país que tem uma força cultural tão grande que chega a ser sufocante - é cultura por todos os poros.
O que você comeu de mais saboroso na Itália?
Tudo. E, sim, claro, tomei grandes vinhos na terra de bons vinhos! Gosto muito de um javali que eles fazem lá na Toscana. A região é pródiga neste tipo de alimento. A bisteca fiorentina é muito bem feita, tem um corte diferente. E, claro, a pasta, ou como se diz no Brasil, a massa! Eu prefiro a pastaciutta, com vários tipos de formato. Comi com mariscos, com ragu disso, daquilo. O personagem (Totó) pode, que ótimo! Se eu engordei? A melhor resposta é que a roupa do personagem cabe, então está tudo bem (risos).
Você tem feito muitas novelas, quase uma atrás da outra. Não pensa em aposentadoria? A Lidiane nunca lhe cobrou isso?
Lidiane não me cobra nada, só me apoia. Se fosse uma mulher cobradora, seria uma chata, o que ela não é. Não pinta esse babado lá em casa. Quando falo em desacelerar, significa dar um tempo para o espectador também, para ele não falar: ''Olhe esse cara de novo!'' Mas eu não emendo porque me obrigam, é que os projetos me fascinam de tal modo que vou mergulhando neles.
Você já disse que consideraria ser diretor ou executivo de TV. Essas ideias ainda permeiam sua cabeça?
Claro que sim. Pela idade que tenho, saberei quando será o momento de dar um tempo maior como ator. Eu sei que um dia farei isso, eu me conheço. É provável que exerça alguma coisa em TV.
Você acha mais gostoso trabalhar hoje, com experiência, ou sente falta do frescor da juventude?
Não sinto falta de nada. Para mim tudo é novidade. Primeiro porque não penso na idade que tenho. A instituição idade é um papo-furado. Eu me sinto abençoado, com a idade que tenho, de estar trabalhando, sendo convidado para novos personagens, isso é uma graça. Sou muito grato. Adoro a minha maturidade, com meus 46 anos de TV que serão completados em 29 de junho. É isso que me empolga.
Em novelas, você já foi um grego, um indiano, agora é um italiano. Como é encarar o desafio de fazer sotaque sem ficar caricato?
É sempre um desafio fazer com que o sotaque não fique caricato, não adianta, você vai agradar a uns e desagradar a outros. A referência italiana é comum no Brasil, por isso se terá liberdade poética de falar o português com trechos em italiano com algumas expressões já consagradas. Não vamos subestimar o público, achando que ele não vai entender nada. Isso seria preconceituoso. Temos uma professora de linguística da PUC que é toscana e nos dá todo o suporte técnico. Além disso, leio o jornal italiano Corriere della Sera todos os dias, assisto ao canal italiano RAI, ouço música italiana no carro e tenho aulas para discutir a língua, o verbo e a literatura italiana.
Que tal fazer uma novela chamada Passione? Você é um apaixonado após 40 anos de casamento?
Apaixonadíssimo, após 41 anos de casamento, senhoras e senhores! Casamento é um investimento de vida. Sou um eterno apaixonado, um grande romântico. Porém, de pés no chão. Olho para a minha companheira não mais com aquela paixão da imaturidade, do início, mas com uma paixão amadurecida, uma paixão verdadeira, uma paixão que dura, que fica.
Você se sente movido pela paixão? Sempre foi assim?
Graças a Deus. O dia em que deixar de me mover pela paixão, prefiro ser um aposentado do INSS - porque, de fato, sou um aposentado pelos anos de trabalho. Mas é sempre bom estar fazendo alguma coisa. Enquanto houver paixão dentro de mim, continuarei trabalhando. Eu escolhi essa profissão para criar minha família. Hoje tornou-se um prazer, mas continua sendo meu ganha-pão também. Ou vocês acham que posso parar de trabalhar porque virei um milionário da noite para o dia? Tenho de trabalhar para sustentar a casa (risos).
Você quis viajar para a Europa antes do elenco todo chegar, com Lidiane. Por quê? Foi a lazer ou já se preparando?
Foi como fiz na Grécia, em Belíssima. Para mim, era fundamental, fui ouvir as pessoas. Fui com minha mulher, tive uma despesa pessoal. Mas já me preparando, ou você acha que estava de brincadeira? Fui ao cinema, ficava ouvindo as pessoas comentando, descobri novas expressões. Por exemplo, no Brasil, todo mundo fala ''Cáspita!'', e na Toscana tem uma expressão linda que é ''Caspiterina''.
O que você fez nesse período antes das gravações?
O meu maior prazer é viajar. Desta vez, fiquei concentrado na Toscana, que era o que me interessava, e fui a Roma, porque ninguém é de ferro. Roma é cidade eterna mesmo. Ficamos andando, andando... Viajar, para nós, tem outro sabor. Não é ir ao shopping, que não suporto, ou comer e beber, que também fiz. Às vezes, basta ficar sentado numa praça durante uma hora só vendo as pessoas passarem.
O que o encanta na Itália?
O que mais encanta sempre é o design italiano, seja nos móveis, nas roupas, na postura das pessoas. O povo é muito próximo do nosso, ou melhor, nós somos próximos deles. Claro que eles têm problemas, enfrentam crises econômicas, não sou um bobo alegre que vai à Itália e fica só olhando o que é positivo. Mas é um país que tem uma força cultural tão grande que chega a ser sufocante - é cultura por todos os poros.
O que você comeu de mais saboroso na Itália?
Tudo. E, sim, claro, tomei grandes vinhos na terra de bons vinhos! Gosto muito de um javali que eles fazem lá na Toscana. A região é pródiga neste tipo de alimento. A bisteca fiorentina é muito bem feita, tem um corte diferente. E, claro, a pasta, ou como se diz no Brasil, a massa! Eu prefiro a pastaciutta, com vários tipos de formato. Comi com mariscos, com ragu disso, daquilo. O personagem (Totó) pode, que ótimo! Se eu engordei? A melhor resposta é que a roupa do personagem cabe, então está tudo bem (risos).
Você tem feito muitas novelas, quase uma atrás da outra. Não pensa em aposentadoria? A Lidiane nunca lhe cobrou isso?
Lidiane não me cobra nada, só me apoia. Se fosse uma mulher cobradora, seria uma chata, o que ela não é. Não pinta esse babado lá em casa. Quando falo em desacelerar, significa dar um tempo para o espectador também, para ele não falar: ''Olhe esse cara de novo!'' Mas eu não emendo porque me obrigam, é que os projetos me fascinam de tal modo que vou mergulhando neles.
Você já disse que consideraria ser diretor ou executivo de TV. Essas ideias ainda permeiam sua cabeça?
Claro que sim. Pela idade que tenho, saberei quando será o momento de dar um tempo maior como ator. Eu sei que um dia farei isso, eu me conheço. É provável que exerça alguma coisa em TV.
Você acha mais gostoso trabalhar hoje, com experiência, ou sente falta do frescor da juventude?
Não sinto falta de nada. Para mim tudo é novidade. Primeiro porque não penso na idade que tenho. A instituição idade é um papo-furado. Eu me sinto abençoado, com a idade que tenho, de estar trabalhando, sendo convidado para novos personagens, isso é uma graça. Sou muito grato. Adoro a minha maturidade, com meus 46 anos de TV que serão completados em 29 de junho. É isso que me empolga.
Em novelas, você já foi um grego, um indiano, agora é um italiano. Como é encarar o desafio de fazer sotaque sem ficar caricato?
É sempre um desafio fazer com que o sotaque não fique caricato, não adianta, você vai agradar a uns e desagradar a outros. A referência italiana é comum no Brasil, por isso se terá liberdade poética de falar o português com trechos em italiano com algumas expressões já consagradas. Não vamos subestimar o público, achando que ele não vai entender nada. Isso seria preconceituoso. Temos uma professora de linguística da PUC que é toscana e nos dá todo o suporte técnico. Além disso, leio o jornal italiano Corriere della Sera todos os dias, assisto ao canal italiano RAI, ouço música italiana no carro e tenho aulas para discutir a língua, o verbo e a literatura italiana.
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