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sábado, 8 de março de 2014 - 11:00

Polícia prende quadrilha que adulterava soja para exportação

brasilandia
A Polícia Civil de São Paulo prendeu quatro pessoas de uma quadrilha suspeita de adulterar soja destinada à exportação pelo porto de Santos, no litoral do Estado. Seis caminhões, com 200 toneladas de grãos que substituiriam a soja, foram apreendidos ontem e hoje, em Santos e em Salto Grande, no interior de São Paulo. O carregamento fazia parte de um esquema de adulteração de cargas de soja que funcionava havia pelo menos seis meses no Estado, informou a Polícia Civil.

O esquema, que desviou milhares de toneladas de soja que seria enviada ao exterior, era composto por motoristas, funcionários do porto de Santos e, principalmente, donos de empresas tradings (empresas que fazem a intermediação entre o exportador e o importador) compradoras e secadoras de grãos. Quatro pessoas foram presas, e três empresários, de Santos, Ourinhos e Assis, tiveram a prisão pedida hoje pela Polícia Civil.

Segundo o delegado João Beffa, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ourinhos, há seis meses sua equipe investigava o esquema. Na noite de quinta-feira, ele decidiu fazer o flagrante em caminhões que aguardavam no Posto Cometa, na Rodovia Raposo Tavares (SP-270), para seguir viagem ao porto de Santos.

“Ao fiscalizarmos a carga e retirarmos material para análise, percebemos que apenas 20% da carga, que estava por cima, de fato era soja; o restante era milho estragado e trigo de má qualidade”, afirmou. “A gente sabe que eles usaram outros produtos, como refugo de soja, sorgo e de alho, que nem tem preço no mercado”, disse.

Na operação, foram apreendidas as carretas, uma arma e munição, além de R$ 49,5 mil em dinheiro, que seria usado para suborno. “Todos ganhavam no esquema, caminhoneiros, funcionários do porto, como os classificadores de carga, e principalmente, os empresários que compravam a soja e carregavam os produtos falsos dentro de suas empresas”, afirmou. Segundo o delegado, o conferente, por exemplo, recebia R$ 1,5 mil para liberar a entrada de cargas no porto de Santos.

De acordo com Beffa, três caminhões com cargas de soja adulteradas foram apreendidos no porto de Santos nesta sexta-feira, mas o número de apreensões poderia ser maior. “Recentemente, 13 caminhões foram proibidos de descarregar e ficaram esperando autorização lá. Infelizmente, essas cargas não foram apreendidas”, disse. Nesta sexta-feira, o delegado pediu a prisão de donos de tradings compradoras de grãos. “Pedimos a prisão de três deles, que temos provas de envolvimento no esquema”, afirmou.

Segundo o delegado, o esquema era feito bem antes de as investigações terem início. “Desconfio que este esquema era feito havia muito tempo. E sabemos que ele não era só praticado nesta região, continua em outras regiões.” O delegado disse ter recebido muitas ligações denunciando adulterações em outras regiões do País, que ele não quis divulgar quais eram. “Temos o caso de que até soja queimada num silo que pegou fogo foi usada para adulterar cargas”, contou. Além disso, para o delegado, o esquema também ocorre com outros produtos. “Não tenho provas, por isso não posso dizer quais, mas é possível que outros produtos enviados para exportação também estejam sendo adulterados”, disse.
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